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Segurança Verde

  • 09 OUT/14
  • ABSEG
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É normal que em ações de marketing, empresas e governos se beneficiem da autoproclamação de serem ambiental e socialmente verdes ou sustentáveis.

Deve-se ensinar a pescar (responsabilidade social – duradoura) ou dar o peixe (ação social – momentânea)? Existe uma contradição entre pensar que dar o peixe pode resolver os problemas; e quando não for possível dar o peixe? Como pescar se não aprendeu? Uma hora a fonte seca; e aí?

Algo parecido acontece na lógica da sustentabilidade. Por conta disso surgiu o banco verde, prédio verde, parece até uma cor da moda, mas não é, é uma forma estratégica de vender um produto ou serviço, mesmo que ele não reflita a realidade da empresa.

Ser uma empresa sustentável implica em mudanças no plano de negócios e, em alguns casos, gastos além do previsto, contratos transparentes com fornecedores éticos, ou que estejam na mesma linha de modelagem do negócio, e planejamento com estratégias.

De que forma o consumidor é informado sobre o que a empresa faz para que o produto final tenha uma relação custo x benefícios dentro do contexto entre a qualidade, o preço e a sustentabilidade?

A ética, sustentabilidade e a transparência se confundem: um produto ou serviço pode ter a mesma qualidade, porém, por meio de valores escusos ou obscuros apresenta um preço bem inferior, muitas vezes obtido com o uso da força de trabalho infantil, aquisição de madeira extraída ilegalmente, utilização de combustível clandestino, mão de obra escrava ou ainda produtos receptados, entre outros.

As empresas não querem um passivo ambiental ou social pesando no seu portfólio, contudo, observa-se que grandes empresas tem ciência de que podem desempenhar um papel estratégico nas questões referentes à sustentabilidade, embora muitas não tenham desenvolvido ações sistêmicas e planejadas de responsabilidade social e ambiental. Uma pequena parte que adota integralmente a sustentabilidade como modelo de negócio, ganhou um bom terreno competitivo e algumas mantiveram o compromisso com o desenvolvimento sustentável mesmo diante de crises.

A sustentabilidade empresarial deve ser um valor holístico, presente em todos os processos e com todos os envolvidos na cadeia de valor, integrando, assim, o homem, natureza e comunidade.

Diante das questões expostas questiono:

  • Adianta plantar árvores, para aliviar passivo ambiental ou social quando o produto final é agressivo ao meio ambiente e aos seus usuários?
  • Teremos empresas cem por cento sustentáveis ou conscientes?

Bem, é nesse contexto que está a segurança empresarial.

Portanto, como a segurança empresarial pode contribuir para sustentabilidade das empresas?

Para iniciar, esclareço que não é preciso ter a certificação da ISO 14001 para se tornar uma empresa sustentável, porém, algumas medidas simples podem ajudar no começo do processo:

  1. Contribuir na fiscalização da reciclagem do lixo no tomador;
  2. Tratar os resíduos que são gerados durante os processos de segurança patrimonial;
  3. Fiscalizar o reaproveitamento da água no tomador;
  4. Reduzir o desperdício de papel nos processos de segurança;
  5. Reduzir o desperdício de energia, especialmente nas portarias de visitantes, que tem baixo volume de trabalho no horário noturno;
  6. Fiscalizar a boa utilização dos pontos de coleta seletiva;
  7. Atualizar o diagnóstico dos aspectos e impactos ambientais de cada atividade;
  8. Estabelecer procedimentos padrões e planos de ação para eliminar ou diminuir os impactos ambientais;
  9. Manter os Vigilantes e demais integrantes do time de segurança patrimonial devidamente conscientizados, treinados e qualificados;
  10. Implementar a gestão de resíduos sólidos, para tratamento de uniformes e crachás, entre outros.

A segurança empresarial não se resume a apenas prover serviços de segurança. Deve ter compromisso, nas suas práticas de gestão, com a qualidade de vida da população fixa e flutuante do local de trabalho e, também, abranger questões como preservação ambiental, inclusão social, respeito à diversidade, incentivo à cultura e apoio a toda e qualquer atividade que eleve a autoestima das pessoas e contribua para os desenvolvimentos humano e social.

Preocupada com as questões ambientais, uma renomada empresa de transportes de valores adquiriu cerca de 400 carros-fortes que geram menos poluentes e ainda oferecem maior conforto aos colaboradores. Na publicação de uma revista de grande circulação nacional, a empresa foi reconhecida como empresa que busca excelência nos seus processos de gestão de custo de frotas e de ações de sustentabilidade, pois, assim como outras grandes marcas do mercado, faze parte de um seleto grupo de empresas no Brasil que conseguem reduzir significativamente a emissão de CO2 na atmosfera.

Um passo também foi dado por uma tomadora de serviços do ABC paulista. A gestão de segurança patrimonial elaborou um projeto que, dentre outros investimentos, sugeriu a troca dos monitores convencionais por modelos LCD ou LED. Quando esta troca ocorreu foi reduzindo o consumo de energia de Security em cerca de 40%. Também investiu gradativamente nas tecnologias aplicadas nas portarias. Na segunda fase, passou-se a utilizar a planilha eletrônica para registros de entrada de pessoas e materiais; e na terceira fase investiu-se em softwares de administração de portarias, cujo objetivo foi reduzir afins e registrar e controlar os acessos, tanto de visitantes quanto de cargas sem o uso de papel, deixando este consumo apenas para os relatórios de análises gerenciais.

Outra empresa na região de Cotia eliminou o uso de copos descartáveis; cada colaborador da equipe de vigilância patrimonial ganhou um kit personalizado para beber café e água nas dependências da empresa. Além disso, nos dois casos, todos os integrantes da segurança patrimonial receberam treinamentos constantes, para conscientizá-los da necessidade de não desperdiçar materiais e recursos como papéis, água e energia, buscando a proteção do meio ambiente, tanto no local de trabalho quanto em seus próprios lares.

Implantar a sustentabilidade demanda tratamento de forma estratégica, com metodologias, conceitos, sistemas de gestão e indicadores. A sustentabilidade deve ser planejada e gerida por processos, cujo objetivo é contribuir com a rentabilidade da empresa e:

  • Mitigar os riscos do ambiente e sociedade onde elas operam e afetam;
  • Assessorar na construção de uma política clara com diretrizes amplas, objetivos e metas definidos, para melhorar sua performance;
  • Utilizar sistemas de gestão que definam processos operacionais, para garantir que a política seja implementada e que os riscos sejam prevenidos;
  • Implementar mecanismos apropriados para medir e melhorar sua responsabilidade corporativa, agregando valor à imagem.

Concluí-se, desta forma, que a segurança verde é a obtenção de resultados através de medidas simples adotadas no dia a dia, customizando sistemas, otimizando recursos e interagindo com as demais áreas, adequando estratégias alinhadas ao negócio para o perfeito sucesso compartilhado com práticas sistêmicas e principalmente sustentáveis.

Teanes Carlos Santos Silva


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